Quando os barcos apareceram no horizonte, as crianças já estavam esperando há muito tempo. Já fazia alguns dias que elas se reuniam ali todas as tardes, pois suas mães haviam dito que era época dos guerreiros voltarem. Esses guerreiros tão esperados eram os pais dessas crianças, e maridos dessas mulheres, que por sua vez evitavam compartilhar com os filhos a angústia que sofriam naqueles dias de espera. Cada uma delas sabia que seu homem poderia não estar nos barcos que retornavam, e por isso não compartilhavam da animação das crianças.

 

Junto com as crianças, esperava também um pequeno grupo de moças, mais jovens, sem maridos e sem filhos, que ansiava mais do que tudo pelo retorno de Astrid. A filha do Jarl era uma inspiração para elas: a única mulher a participar daquela viagem, e que com sorte poderia contar a elas tudo que não ouviriam da boca dos homens sobre a viagem. Com um pouco mais ainda de sorte e favor dos deuses, Astrid poderia ensinar a elas como serem shieldmaidens.

 

Crianças e moças então correram para avisar que os guerreiros estavam de volta. Em questão de minutos toda a vila estava na baía para recebê-los. O mesmo número de barcos voltava, o que já era um bom sinal.

 

Quando os barcos alcançaram a areia e os homens começaram a descer, foram atropelados por abraços, beijos, lágrimas e palavras de agradecimento aos deuses. Quase nenhuma mulher deixaria de fazer sua oferenda a Freya naquela noite, pois a maioria dos homens estava de volta. Havia muitos feridos e doentes da viagem, mas apenas duas mortes de homens já mais velhos, e suas esposas, igualmente velhas, agradeceram aos deuses por permitirem que seus homens tivessem a chance de morrer de armas nas mãos. A grande decepção ficou apenas com o pequeno grupo de jovens moças, que não via Astrid saindo de nenhum barco.

 

Além de Astrid, faltavam ali também cinco outros guerreiros. Mas como não tinha esposas ou parentes vivos, ninguém deu por falta deles naquele momento de alegria. 

 

Após o momento de euforia inicial e alegria por ver todos voltando vivos, as mulheres começaram a imaginar as riquezas que eles estariam trazendo.

 

Mas não havia nenhuma. E cada guerreiro que foi questionado sobre isso respondeu apenas com um olhar carrancudo.

 

O Rei Eiðr só conseguia pensar em chegar em seu salão e se afogar em cerveja, mas ainda na areia da chegada foi abordado por três de seus guerreiros. Inseguros e cabisbaixos, eles explicaram que a viagem fora um prejuízo... haviam deixado suas mulheres sozinhas para cuidar de suas fazendas, e agora voltavam de mãos vazias. O inverno seria rigoroso e não havia ouro, prata ou novos escravos para compensá-los. Nenhum daqueles guerreiros ousou dizer o que realmente pensava, mas não era necessário, Eiðr sabia muito bem. Tudo isso porque Astrid havia decidido abrir as pernas para um celta...

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O casamento

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Portões de Valhalla

-Iii-

Yule